QUEM É EFRAIM FILHO? DA OPERAÇÃO CALVÁRIO AO CELULAR DE VORCARO, A PARAÍBA PRECISA CONHECER O QUE EXISTE POR TRÁS DO DISCURSO MORALISTA
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QUEM É EFRAIM FILHO? DA OPERAÇÃO CALVÁRIO AO CELULAR DE VORCARO, A PARAÍBA PRECISA CONHECER O QUE EXISTE POR TRÁS DO DISCURSO MORALISTA

Redação
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Existe uma pergunta que precisa ser feita antes que Efraim Filho peça aos paraibanos as chaves do Palácio da Redenção: Quem é, de verdade, Efraim Filho? Não estou falando do personagem produzido para programas eleitorais. Não estou falando do sorriso das redes sociais, das frases ensaiadas ou do discurso moralizador utilizado nos palanques. Estou falando da trajetória que também precisa ser colocada diante do eleitor. Porque existem episódios que não podem simplesmente desaparecer quando começa uma eleição. E quando alguém pretende governar a Paraíba, considero meu dever, como jornalista e cidadão, fazer as perguntas que precisam ser feitas. E eu vou fazê-las. DO CONGRESSO AO PALÁCIO: QUEM É EFRAIM FILHO? Efraim Filho construiu uma longa trajetória no Congresso Nacional. Exerceu quatro mandatos como deputado federal pela Paraíba, chegou à liderança do então Democratas e, em 2022, conquistou uma cadeira no Senado Federal. Agora quer governar a Paraíba. Uma pretensão legítima. Mas que traz consigo uma exigência igualmente legítima: submeter sua trajetória inteira ao escrutínio da sociedade. E é aí que começam as perguntas. Porque dois episódios ocorridos em momentos completamente diferentes chamam atenção. De um lado, uma delação no contexto da Operação Calvário. Do outro, anos depois, documentos relacionados a emendas apresentadas pelo senador aparecendo no material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Eu não vou fingir que essas informações não existem. CASO VORCARO: O QUE FAZIAM EMENDAS DE EFRAIM FILHO NESSE CAMINHO? O episódio mais recente é explosivo. Conforme reportagem reproduzindo informações atribuídas a relatório da Polícia Federal, foram encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro documentos relacionados a três emendas apresentadas pelo senador Efraim Filho ao projeto que tratava da regulamentação do mercado de carbono no Brasil. E aqui não estamos tratando apenas de discurso político. Os registros legislativos existem. Em 20 de setembro de 2023, Efraim apresentou as emendas 26, 27 e 28 ao PL 412/2022, conforme a tramitação oficial do Senado. E depois vem a informação que, para mim, torna indispensável uma explicação pública. Segundo o conteúdo divulgado pela imprensa, aproximadamente um mês depois, um interlocutor envolvido em empreendimento relacionado a créditos ambientais teria encaminhado os documentos a Vorcaro, descrevendo aquelas emendas como “fundamentais” para o texto em discussão no Congresso. Fundamentais? Fundamentais para quem? Essa é a primeira pergunta que faço diretamente ao senador Efraim Filho. Quem procurou seu gabinete para discutir essas emendas? Quem participou da construção delas? Quais empresas, empresários, associações, consultores ou representantes do mercado de carbono mantiveram diálogo com o senador ou seus assessores sobre essas alterações? Por que justamente essas propostas eram consideradas tão importantes por interlocutores ligados ao mercado? E como os documentos chegaram àquele circuito? Não são perguntas pequenas. São perguntas que precisam ser respondidas por quem pretende governar a Paraíba. E A HISTÓRIA NÃO COMEÇOU AGORA Existe outro capítulo que precisa voltar ao conhecimento público. Em janeiro de 2020, reportagem de O Antagonista revelou declarações prestadas pela ex-secretária de Administração da Paraíba Livânia Farias, no âmbito de sua colaboração premiada relacionada à Operação Calvário. No relato publicado, Livânia citou nominalmente Efraim Filho ao falar de um suposto acordo envolvendo o apoio do então DEM à chapa de Ricardo Coutinho nas eleições estaduais de 2014. Segundo a narrativa da colaboradora reproduzida pela imprensa, esse suposto acordo envolveria R$ 2 milhões. A reportagem também registrou referência a um suposto repasse de R$ 250 mil, além de outros valores mencionados pela colaboradora. São declarações de enorme gravidade que foram colocadas publicamente no debate político paraibano. Efraim reagiu. Negou as acusações e afirmou que suas contas eleitorais daquele período haviam sido analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Mas naquele momento ele pronunciou uma frase que atravessou os anos e que considero particularmente apropriada para o momento atual: “QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME.” Perfeito, senador. Eu concordo. Então não tema as perguntas. DUAS HISTÓRIAS, UMA OBRIGAÇÃO: EXPLICAR Os episódios são distintos e ocorreram em contextos diferentes. Não estou dizendo que a Operação Calvário tenha relação com o caso envolvendo o material localizado no celular de Vorcaro. Minha cobrança é outra. Estou olhando para a trajetória de um homem público que agora pretende governar meu Estado. E quero respostas. Porque o cidadão comum precisa explicar cada centavo de sua vida quando é chamado pelas instituições. Por que seria diferente com alguém que pretende administrar bilhões de reais do orçamento público? Eu quero saber: Quem construiu as três emendas? Quem apresentou as demandas ao gabinete? Quais setores econômicos seriam diretamente alcançados pelas alterações? Quem eram os interlocutores do mercado de carbono? Houve reuniões? Com quem? Quando? Por que aquelas emendas eram consideradas “fundamentais”? Como chegaram às mãos de pessoas ligadas àquele ambiente empresarial? E mais: Qual foi exatamente a participação de Efraim Filho nas negociações políticas de 2014 mencionadas por Livânia Farias? Eu não quero respostas genéricas. A Paraíba merece respostas objetivas. O DISCURSO MORALISTA PRECISA ENFRENTAR OS FATOS É muito fácil falar de moralidade quando o alvo é o adversário. É muito fácil subir num palanque e apontar o dedo. É muito fácil construir uma campanha em torno daquilo que os outros fizeram ou deixaram de fazer. Difícil é aceitar o mesmo holofote apontado para a própria trajetória. Por isso, para mim, a discussão ultrapassou Efraim Filho. Estamos falando do padrão que queremos estabelecer para quem pretende governar a Paraíba. Quem cobra transparência precisa ser transparente. Quem cobra explicações precisa explicar. Quem utiliza moralidade como discurso político precisa aceitar que sua própria trajetória seja examinada com a mesma lupa. Não existe moralidade seletiva. A MÁSCARA DO MARKETING PRECISA DAR LUGAR À HISTÓRIA COMPLETA Uma eleição não pode ser uma disputa para descobrir quem produz o vídeo mais bonito. Governador não é influenciador. Governador administra hospitais, escolas, estradas, segurança pública, folha salarial, investimentos e bilhões de reais pertencentes ao povo. Portanto, antes de decidir quem receberá tamanho poder, o eleitor precisa conhecer a história completa dos candidatos. Não apenas a versão cuidadosamente preparada pela propaganda. E é por isso que não aceito que episódios dessa dimensão sejam empurrados para debaixo do tapete eleitoral. Não aceito que perguntas desapareçam porque começou a campanha. Não aceito que o discurso moralista substitua respostas. EU QUERO SABER. E A PARAÍBA TAMBÉM TEM O DIREITO DE SABER. Eu quero saber quem construiu essas emendas. Quero saber quem procurou quem. Quero saber quais interesses econômicos estavam em jogo. Quero saber quem eram os interlocutores. Quero saber por que as propostas eram consideradas “fundamentais”. Quero saber como esses documentos circularam. Quero saber tudo aquilo que for de interesse público sobre quem pretende governar a Paraíba. E quero que cada paraibano tenha acesso às mesmas respostas. Porque quem pretende sentar na cadeira de governador precisa estar preparado para abrir sua trajetória inteira ao julgamento popular. Foi o próprio Efraim Filho quem disse: “QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME.” Pois eu faço das palavras dele as minhas. Então não tema as perguntas, senador. Responda. A Paraíba não precisa de máscara. Não precisa de marketing para esconder perguntas incômodas. Não precisa de moralismo de conveniência. A PARAÍBA PRECISA DA VERDADE. E essa verdade precisa aparecer antes, e não depois, de o eleitor decidir quem terá nas mãos o destino do Estado. Porque a pergunta permanece — talvez hoje ainda maior: QUEM É, DE VERDADE, EFRAIM FILHO? Alexandre Kennedy - Código Capital
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