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Bastidores
Política: o tabuleiro só termina quando a última peça é movida
Redação
Na política, quem comemora antes da hora corre o risco de assistir à própria derrota. O poder não se decide no primeiro movimento, nem na primeira pesquisa. Decide-se no último lance.
A política se parece com o xadrez: estratégia vence impulso, paciência supera ansiedade e inteligência vale mais do que euforia. Uma peça aparentemente perdida pode decidir a partida. Um movimento calculado pode desmontar um jogo que parecia irreversível.
Pesquisas eleitorais são retratos do momento, não fotografias do futuro. Elas registram o presente, mas não escrevem o resultado da eleição. Alianças mudam, cenários se reorganizam, fatos surgem, crises aparecem e o eleitor também muda de posição.
Por isso, os grandes estrategistas jamais cantam vitória antes do apito final. No xadrez e na política, soberba costuma custar caro. Quem subestima o adversário abre espaço para o contra-ataque.
A verdadeira disputa pelo poder é silenciosa. Ela acontece nos bastidores, nas articulações, na construção de confiança e na capacidade de antecipar movimentos.
No fim, permanece uma regra que atravessa toda eleição: no jogo da política, a única vitória garantida é aquela confirmada quando a última peça é movida e o povo encerra a partida nas urnas.
Editorial | Código Capital
Alexandre Kennedy