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Bastidores
EFRAIM NO “PISCINÃO DOS INVESTIGADOS DO INSS”: A FOTO QUE A PARAÍBA PRECISA VER
Redação
Rancho luxuoso, Arthur Lira, políticos influentes e personagens alcançados pela investigação do INSS. No meio dessa teia de relações, identifico Efraim Filho na fotografia — e quero respostas.
Olhem bem para esta fotografia.
Não passem por ela rapidamente. Ampliem. Observem o ambiente, os personagens e, principalmente, as relações que essa imagem ajuda a revelar.
Piscina, bebidas, descontração e alguns dos homens mais influentes da República reunidos no Rancho Tomaz, nos arredores de Brasília.
É nesse registro que identifico Efraim Filho, senador pela Paraíba e candidato ao Governo do Estado, como o homem em pé no centro da fotografia, diante da piscina.
Estou fazendo essa identificação e assumo integralmente essa afirmação editorial.
Ao seu redor está um círculo de personagens que ganhou importância nacional depois que a Polícia Federal avançou sobre suspeitas relacionadas ao escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.
E é aí que essa piscina deixa de ser, para mim, uma simples piscina.
É o PISCINÃO DOS INVESTIGADOS DO INSS.
UMA FOTO QUE DIZ MUITO SOBRE BRASÍLIA
A fotografia foi encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha e revelada pela revista piauí. O encontro aconteceu no Rancho Tomaz, propriedade do advogado Willer Tomaz.
Naquele ambiente estavam figuras de enorme influência política, entre elas Arthur Lira, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Depois, o nome de Willer Tomaz apareceu no radar da Polícia Federal em desdobramentos da Operação Sem Desconto, que investiga o gigantesco esquema relacionado aos descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas.
E agora olhem novamente para a fotografia.
A imagem representa, para mim, algo maior do que uma confraternização.
Ela revela como funciona um pedaço do poder brasileiro quando acredita estar distante dos olhos da população.
EFRAIM, O QUE VOCÊ FAZIA NESSE AMBIENTE?
É essa pergunta que faço diretamente ao senador.
Efraim, o que você fazia nesse círculo?
Quem o levou até lá?
Qual é sua relação com Willer Tomaz?
Há quanto tempo existe essa proximidade?
Quantas vezes esteve naquele ambiente?
Que relações políticas foram construídas entre essas pessoas?
Porque quem deseja governar a Paraíba precisa estar preparado para explicar suas companhias, suas relações políticas e os ambientes privados pelos quais circula.
E a história fica ainda mais inquietante quando começamos a juntar outras peças.
A ESPOSA DE EFRAIM TAMBÉM APARECE NO RANCHO
A presença do círculo familiar de Efraim naquele ambiente não depende da minha interpretação da fotografia principal.
A revista piauí registrou que Carol Morais, esposa de Efraim Filho, esteve no Rancho Tomaz naquele mesmo fim de semana.
Ela aparece em outro registro dentro da propriedade ao lado de outras pessoas, inclusive Angela Lira, esposa de Arthur Lira.
Portanto, não estamos falando de um nome completamente estranho a esse ambiente social.
Estamos falando de relações que precisam ser colocadas diante do eleitor paraibano.
E ainda não acabou.
O SUPLENTE DE EFRAIM E OS R$ 51 MIL
Existe outro episódio que considero ainda mais grave politicamente.
Erik Janson Marinho, segundo suplente de Efraim Filho no Senado, tornou-se investigado pela Polícia Federal em apuração sobre suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao esquema do INSS.
E esse mesmo homem aparece em relatório do Coaf como responsável pelo pagamento de um boleto de aproximadamente R$ 51 mil de Efraim Filho.
O próprio Efraim reconheceu o pagamento e apresentou sua versão: disse que estava sem saldo suficiente naquele momento, pediu que o suplente pagasse o boleto e posteriormente realizou o acerto.
Mas eu pergunto:
Que relação financeira era essa?
Por que um suplente de senador pagava uma obrigação particular de R$ 51 mil do titular do mandato?
Existiram outras operações entre os dois?
Qual era o grau de intimidade financeira, política e pessoal dessa relação?
Tudo isso precisa ser esclarecido.
AGORA JUNTE AS PEÇAS
Não olhem para cada episódio isoladamente.
Olhem para o conjunto.
Temos o Rancho Tomaz.
Temos Willer Tomaz.
Temos uma fotografia recuperada pela Polícia Federal.
Temos Arthur Lira.
Temos Weverton Rocha.
Temos a esposa de Efraim registrada naquele rancho.
Temos o segundo suplente de Efraim investigado pela PF.
Temos esse suplente pagando R$ 51 mil de uma obrigação pessoal do senador.
E temos a fotografia que publico nesta matéria, na qual eu identifico Efraim Filho em pé, no centro daquele grupo, diante da piscina.
Para mim, isso exige respostas.
O PISCINÃO DOS INVESTIGADOS DO INSS
Existe uma ironia amarga nessa fotografia.
O escândalo investigado atingiu aposentados e pensionistas — gente que trabalhou durante décadas e que muitas vezes precisa escolher entre comprar medicamentos, pagar a feira ou quitar a conta de energia.
Enquanto isso, as imagens mostram o universo privado frequentado por uma parcela privilegiada da política brasileira.
Piscina.
Rancho.
Bebidas.
Confraternização.
Poder.
É uma fotografia que simboliza uma distância brutal entre determinados círculos de Brasília e o Brasil real.
Por isso eu a publico.
Por isso pergunto.
E por isso não vou suavizar as perguntas apenas porque estamos falando de um senador da República e candidato ao Governo da Paraíba.
EFRAIM, A PARAÍBA MERECE RESPOSTAS
Quem pretende governar nosso Estado precisa explicar suas relações.
Quero saber qual é a relação de Efraim Filho com Willer Tomaz.
Quero saber a extensão da convivência entre essas famílias.
Quero saber sobre sua relação com o suplente investigado.
Quero saber se existiram outras movimentações financeiras entre eles.
E quero saber o que existe por trás dessas relações construídas nos círculos reservados de Brasília.
Não estou escrevendo uma sentença judicial.
Estou fazendo aquilo que considero obrigação de quem exerce jornalismo e opinião política:
cobrar quem deseja governar a Paraíba.
Efraim Filho quer ser governador.
Então responda.
Porque depois que determinadas fotografias vêm à superfície, não basta sair da piscina, vestir a roupa e fingir que ninguém viu.
A Paraíba viu.
E agora quer explicações.
Por Alexandre Kennedy
Código Capital