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Bastidores
CARTA ABERTA DOS “TIBÉRIOS” DA PARAÍBA
Redação
Há textos que pretendem ser editoriais. Outros, infelizmente, parecem querer funcionar como sentenças.
A carta publicada pelo Paraíba 2.0 não é um convite ao debate. É um convite à desistência. E é justamente isso que desperta uma pergunta inevitável: a quem interessa que Tibério Limeira não seja candidato?
Porque, curiosamente, no Brasil e na Paraíba, nunca faltaram líderes políticos investigados, denunciados ou processados durante períodos eleitorais. Muitos foram absolvidos. Outros tiveram acusações rejeitadas, arquivadas ou julgadas improcedentes anos depois. Mas a marca da suspeita, essa, quase sempre já havia cumprido seu papel político.
A história da democracia brasileira está repleta de exemplos de homens públicos que enfrentaram investigações e, posteriormente, obtiveram absolvições, arquivamentos ou reconhecimento de sua inocência em diferentes processos. Isso demonstra que investigação não equivale a condenação, e medida cautelar não substitui sentença definitiva.
No caso de Tibério Limeira, há uma ação em curso, na qual ele exerce plenamente seu direito de defesa. A decisão recente determinou uma indisponibilidade cautelar de bens, medida prevista em lei para resguardar eventual ressarcimento, e não representa condenação. O próprio processo ainda seguirá seu curso, com contraditório e ampla defesa.
Mais do que isso, meses antes, o Tribunal de Contas da Paraíba havia afastado sua responsabilidade em um processo relacionado aos repasses ao Hospital Padre Zé, reconhecendo a regularidade de sua atuação administrativa naquele julgamento.
Então, perguntamos:
Onde estavam as cartas abertas exigindo renúncia de tantos outros políticos brasileiros e paraibanos que responderam a processos?
Esse mesmo rigor foi aplicado aos filhos das oligarquias?
Foi aplicado às famílias tradicionais da política?
Ou esse tipo de apelo só aparece quando o candidato é alguém que nasceu do povo, construiu sua trajetória nas ruas, nos movimentos sociais e hoje incomoda porque aparece entre os mais competitivos nas pesquisas?
A democracia não pode conviver com dois pesos e duas medidas.
Tibério não surgiu dos salões da elite política. Sua história foi construída ouvindo agricultores familiares, caminhando pelas comunidades através do Orçamento Democrático, incentivando pequenos empreendedores pelo Empreender Paraíba, dialogando com jovens, esportistas, lideranças comunitárias e populações historicamente esquecidas.
Milhares de paraibanos conhecem sua trajetória antes mesmo de qualquer candidatura.
Por isso, causa estranheza que um veículo de comunicação assuma para si o papel de definir quem deve ou não disputar uma eleição.
Quem escolhe representantes é o povo.
Quem julga processos é a Justiça.
Quando essas duas funções começam a se confundir, perde a democracia.
Não defendemos privilégios para Tibério.
Defendemos o mesmo tratamento que sempre foi dado a tantos outros.
Se a regra é que toda investigação impeça uma candidatura, que ela valha para todos.
Mas, se a Constituição garante presunção de inocência, contraditório e ampla defesa, esses direitos também pertencem a Tibério Limeira. Não podem existir apenas para alguns sobrenomes ou determinados grupos políticos.
A política brasileira conhece bem a força do chamado “tribunal da opinião pública”. Quantas reputações foram destruídas antes do julgamento? Quantos processos terminaram sem condenação? Quantas acusações perderam força com o tempo, enquanto a imagem pública já havia sido profundamente atingida?
É precisamente por isso que prudência e responsabilidade são indispensáveis.
Esta não é uma resposta de Tibério.
É a resposta de todos aqueles que conhecem sua caminhada.
Dos agricultores familiares.
Dos assentados da reforma agrária.
Dos pais e mães atípicos.
Dos empreendedores.
Dos jovens da comunidade e da universidade.
Dos líderes comunitários.
Das pessoas que foram ouvidas pelo Orçamento Democrático.
Daqueles que acreditam que ninguém pode ser condenado previamente pela manchete de um portal ou pela pressão do momento.
Porque há algo maior do que uma eleição.
Chama-se Estado Democrático de Direito.
E nele, candidaturas não são retiradas por editoriais.
São decididas nas urnas.
E processos são decididos nos tribunais.
Assinam esta carta todos os “Tibérios” espalhados pela Paraíba: homens e mulheres do povo que acreditam que a Justiça deve julgar com provas, a imprensa deve informar com equilíbrio e a democracia deve respeitar o direito de cada cidadão de disputar o voto popular enquanto não houver decisão definitiva que o impeça.
Tibérios de toda Paraíba!